INHAME, ARROZ NO OLEO DE COCO, BARDANA, HOMUS E VERDURAS


Fiz meu sagrado mercado orgânico esta semana, e recebi bardanas lindas. Percebi que estava sem shoyu depois de ter picado todas as raizes. Foi um drama, pois desde que me conheço por gente bardana precisa de shoyu para o sabor acontecer. Pensei em pedir para os vizinhos, sair para comprar, mas aquietei dois minutos e resolvi arriscar. Preparei como de costume: deixei a cebola dourar bastante no azeite, coloquei salsinha e cebolinha e deixei fritar bem, adicionei as bardanas cortadas em lascas e mexi. Tampei a frigideira e esqueci. De vez em quando é preciso mexer e colocar algumas gotas de água, voltar a tampar e o vapor criado faz seu trabalho. Quanto mais dourada elas ficavam, mais doces. Bem no finalzinho coloquei algumas gotas de vinagre branco, tampei de novo e esperei uns 5 minutos, terminei com uma pitada de sal rosa. Fim do mito. Bardada não precisa de shoyu. Ela se revela suavemente, fica uma tonalidade dourada e um sabor incrível que eu desconhecia. Que maravilha! Acompanha arroz basmati de véspera cozido no óleo de coco com pedacinhos de inhame, acelga refogada com tomate, e um pouco de homus da Alibey, que tem sido de enorme ajuda no dia a dia.

Sobre o arroz dormido, ou de véspera, cozido no óleo de coco, tem uma razão para ser assim, já postei sobre isso mas vale a pena fazer outro resumo, informação interesssante da Puravida postada aqui.
abre aspas: O arroz branco é um amido neutro. Tem menos nutrientes que o arroz integral, é verdade.... mas em compensação é ausente em ANTInutrientes e é muito mais fácil de cozinhar, de comer e de digerir. Pesquisadores do Sri Lanka descobriram uma maneira de reduzir as calorias e a glicemia do arroz em até 50% de forma muito eficiente.
O processo é simples: cozinhar o arroz com óleo de coco (meia colher de sopa de óleo para cada xícara de arroz cru) e depois refrigerar o mesmo por 12 horas. Isto converte boa parte do amido do arroz em AMIDO RESISTENTE (o mesmo da banana verde), substância prébiótica que não é transformada em glucose pela digestão. Depois você pode esquentar o arroz novamente, a alquimia já foi feita em sua estrutura. fecha aspas

Já sobre o inhame, me esforço muito para gostar, mas preciso mudar urgente e rever meu preconceito. A melhor hora sempre é agora. Ainda mais com três nobre motivos: faz tempo a Sonia Hirsch escreve sobre o inhame de uma maneira tão clara que se a gente deixar de acrescentá-lo no dia a dia nem imagina o que está perdendo, para o meu tipo sanguíneo AB é altamente benéfico, e onde estou morando atualmente tem tanto pernilongo! E nos atacam como se não houvesse amanhã. Não adianta mais o óleo de cravo, citronela, ventilador. Tudo os afasta temporariamente, em seguida o retorno é dramático (este sim é de fato). Não uso repelentes químicos de nenhuma espécie então o jeito é reforçar o sistema imunológico, manter o organismo limpo, tomar muita propolina da Breyer, que também já é velha conhecida aqui no nosso blog. E claro, rezar para que os pernilongos estejam saudáveis, sem serem o vetor da dengue para nosso terror. Melhor ainda se os focos forem descobertos e eliminados, não é gente? Acreditem: ainda estamos patinando nesta área, e não tem discriminação de lugar nem de classes, muita gente ignora os focos, e cada ano que passa nos tornamos campeões em (des) casos de dengue... muito triste isso :(
Leia que interessante esse novo texto da Sonia Hirsch, publicado recentemente em sua página de facebook com mais motivos para a gente nham, comer inhame, sempre.
Vale muito a pena ler e ver os comentários, lá mesmo. Totalmente convencida, mais uma vez. Agora é comigo e xô preconceito!

abre aspas:
VOCÊ JA OUVIU FALAR EM LACTOBACILOS DE INHAME? O NOME É POI

O moço da foto está pilando inhames cozidos numa grande gamela. Gamela-com-banco, feita especialmente para essa finalidade, e o pilão é de pedra vulcânica, pesadão. A atividade dura ao menos meia hora e exige músculos, observem os bíceps. Tudo isso para quê, meu bem? Pra comer “poi”.
Poi, ou poi poi, é o segredo de saúde dos havaianos. Não que outros povos da Ásia, da Polinésia e da África não comam inhame de montão. Mas para os havaianos ele é primordial. Consta que o Céu e a Terra casaram e produziram um filho que morreu. Foi enterrado, e ali nasceu o primeiro pé de inhame - o pequeno, cabeludo, cinzento ou branco por dentro, vulgo taro, nome latino Colocasia esculenta - e passou a alimentar todos os outros filhos.
No Havaí o povo não tem cáries nem existe vocábulo para indigestão. E, assim como os alemães e seus vizinhos fermentam repolho para obter lactobacilos purificadores dos intestinos, e os búlgaros e seus vizinhos fermentam da mesma forma o leite para obter os lactobacilos do iogurte, os havaianos fermentam inhame cozido, pilado com um tico de água para molhar o pilão.
Muitos estudos foram feitos sobre isso, comprovando a eficácia do poi como alimento para crianças com falhas de assimilação e baixo crescimento. Um quadro desesperador quando a criança põe tudo para fora, inclusive o leite materno, e vai se tornando incapaz de viver. Aí chega o poi e salva. Milagre? Da natureza. Idem para convalescentes, idosos e quem tem saúde gostando de tê-la.
Pouco explorado atualmente, o inhame já foi vendido em farmácia na forma de elixir, com salsaparrilha na fórmula, provavelmente baseada no poi. Ajudava a tratar e curar malária, dengue e sífilis, entre outras infecções brabas, reafirmando sempre suas propriedades depurativas do sangue. Misteriosamente, ou nem tanto, sumiu porque não havia “prova científica” de sua eficácia e a licença não foi renovada. Surgiu uma imitação barata que circula por aí sem que ninguém a impeça.
Quem come inhame sabe o bem que faz, não só por proteger a saúde quanto por facilitar o deslizamento das fezes, promovendo a limpeza intestinal. O passo seguinte seria fazer e distribuir o poi. Mas cadê os músculos, a gamela, o pilão e, principalmente, a disponibilidade para ficar meia hora lá?
Mais em correcotia.com/inhame
fecha aspas

Ai que vontade de provar esse POI!
Namastê!

imagem de acervo, e depois imagem do texto da Sonia Hirsch na sua pagina de face

Comentários

Cláudia Leister disse…
Olá, Silvia!
Suas descrições de comidas e as fotos, invariavelmente, me fazem salivar, mas esta, em especial... :)
Adoro bardana e inhame, então imagine!
A bardana, eu nunca comi com shoyu e agora fiquei curiosa em experimentar o gosto, embora ache realmente dispensável.
Quanto aos pernilongos, aqui no meu bairro em Campinas, está difícil, que você nem imagina! Nem química (minha última opção) está funcionando mais com os que me visitam!
sylribeiro disse…
Oi, Claudia!! creio que devemos morar no mesmo bairro, rs:(rindo para não chorar). A bardana com shoyu eu conheci em campinas na epoca da faculdade, tinha um macrobiotico que infelizmente esqueci o nome e onde ficava, mas ali fui apresentada ao pastel de bardana...ate hoje sonho com ele, rs:( rindo de saudade) pernilongos...ja morei em diferentes endereços no mesmo bairro e nunca tinha visto nada igual, aqui na minha quadra tenho a impressão que os moradores não enxergam um palmo adiante. abraços